Para os vinhos DOC Douro

 

Uma das raras empresas familiares portuguesas - e que assim se mantém - com história de largos anos na produção de Vinho do Porto contratou Hubert de Boüard para consultor dos vinhos DOC Douro.  Da equipa faz ainda parte um luso-descendente, Philippe Nunes, que tem sido um dos principais elos de ligação entre o conhecimento enológico de Bordéus e a nova aventura pelo Douro.

De Boüard é o enólogo e proprietário do Château Angélus, um dos mais exclusivos de Bordéus. Decidiu, em 1988, iniciar um trabalho de consultoria enológica, colaborando na atualidade com 65 projetos, em países como Espanha (Rioja), França (Côtes du Provence, Vale de Loire e Bordéus), África do Sul, Líbano e Tailândia. A parceria com a Poças Júnior foi acordada em março e a vindima deste ano já teve mão francesa.

À mesa do novo estrela Michelin do Porto, num jantar em que se combinaram vinhos da Poças (sobressaiu o Poças Porto Colheita 1976) com a gastronomia de Pedro Lemos, Hubert de Boüard, já rendido às castas durienses, confidenciou o perfil de vinhos que doravante procurará elaborar: “Vinhos harmoniosos, entre potência e elegância, com estrutura mas que não sejam demasiado corpulentos”, com o objetivo de a médio prazo encontrar a frescura que antevê que a generalidade dos consumidores pretenderá.

Pedro Poças Pintão, diretor comercial da Poças e membro da família, justifica a nova aposta com “a importância de uma nova visão sobre o que é o vinho. Gostamos muito da perspetiva deles sobre o que é o vinho e do respeito profundo pelo que aqui existe”.

Quase centenária, a Poças Júnior produz vinhos DOC Douro desde 1990. Quer crescer “em quantidade e qualidade” nesse segmento, em que produz 350.000 garrafas anuais. Em matéria de Vinho do Porto, a produção média anual ascende a 1,3 milhões de garrafas.

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