Escrevo estas linhas pouco depois de analisar alguns estudos sobre o comportamento dos vinhos portugueses no mercado brasileiro nos primeiros nove meses de 2014: as vendas em volume baixaram um pouco, mas cresceram significativamente em valor. Sim, é bem provável que os vinhos portugueses comecem, finalmente, a concretizar a profecia que corria insistentemente pelo setor desde o virar do milénio – a afirmação dos vinhos portugueses será pela qualidade, nunca pela quantidade.

A qualidade, em termos médios, aumentou e se falarmos nos vinhos portugueses “super premium” podemos argumentar que ombreiam hoje com os grandes do mundo. Calma, não temos o melhor vinho do mundo – porque esse é um conceito demasiado abstrato, difuso e pessoal para sequer existir – , embora este 2014 entre para a história precisamente pelo oposto. Afinal, não é todos os anos que um vinho português é eleito o melhor pela mais influente das publicações mundiais nesta área, a “Wine Spectactor”. Está de parabéns o grande vencedor, o Dow’s Vintage 2011, a família Symington (que conseguiu ainda um brilhante terceiro lugar para o Chryseia 2011) e a região do Douro (que ao colocar o Vale Meão 2011, da família Olazabal, na quarta posição, consegue a proeza de ter três vinhos nos quatro primeiros lugares da publicação norte-americana).

“The next big thing”, como muitos especialistas e críticos de vinhos apelidavam recentemente os vinhos portugueses, tornou-se na “the present big thing”. Falamos da “Wine Spectator”, como poderíamos ter referido a “Wine Enthusiast”, que atribuiu o primeiro lugar na categoria “Best Buy” ao Aveleda Loureiro, tendo considerado o José de Sousa 2011, um tinto produzido no Alentejo pela José Maria da Fonseca (JMF), o terceiro melhor vinho do ano. E este Portugal que faz furor no vinho é o mesmo que nos continua a emocionar – a nós, portugueses que apreciamos vinho – com exemplares raros e sublimes como o JM Moscatel Superior 1911 ou o Sandeman Cask 33.

Insistimos nesta revista em sublinhar o mérito e realçar o que de positivo vai acontecendo na esfera da enogastronomia. Nas vésperas da atribuição dos prémios “Os Melhores do Ano” (a cerimónia acontecerá em finais de janeiro de 2015 e os resultados serão revelados na próxima edição), nomeados 48 protagonistas que nos enchem de orgulho. São um exemplo de perseverança e de profissionalismo.

E porque avaliar não é fácil e muito menos deve ser deixado sob os humores amadoristas, igualmente estamos a preparar a constituição do júri internacional que no “Essência do Vinho – Porto 2015”, em finais de fevereiro, elegerá o “TOP 10 Vinhos Portugueses”. Teremos aí, certamente, outras dez razões para celebrar Portugal e os vinhos portugueses.



Nuno Guedes Vaz Pires | WINE-A Essência do Vinho