{ Aromas a alperce, pêssego, flores e pera Williams }

O percurso recente desta casta branca francesa, tão perfumada e especial, levou-a de casta virtual a estrela mundial no espaço de pouco menos de 50 anos. Se nos anos 60 do século passado a casta ocupava apenas cinco hectares de área, com uma expressão reduzida a Condrieu e a pequenos espaços em Côte Rotie, hoje o Viognier encontra-se plantado um pouco por todo o planeta, Portugal incluído, graças a uma popularidade e entusiasmos crescentes pela intensidade e vivacidade da expressão aromática.

Em Portugal, a casta passou de total desconhecida a celebridade no curtíssimo espaço de dez anos, ganhando uma notoriedade súbita e pouco imaginável. Há quem a inclua em lotes de vinhos brancos, quem a junte à casta tinta Syrah, tal como é prática corrente em Côte Rotie, e quem a reserve para vinhos varietais. A casta francesa é, curiosamente, parente em grau muito próximo à igualmente vedeta Syrah. Uma coincidência encantadora, já que as duas castas costumam estar associadas num dos lotes internacionais mais famosos, vinhos com predominância de Syrah e uma dose de cerca de 5% de Viognier, para suavizar a boca enquanto apimenta e intensifica o nariz.

O que mais seduz no Viognier é o aroma veemente e perfumado, que pode combinar notas intensas de alperce com os aromas suaves e delicados de um prado primaveril, como que outono e primavera de uma só assentada. A boca dá sempre sugestões de doçura, mesmo quando o vinho é inegavelmente seco, criando sensações e ilusões de enorme tensão e complexidade. Se descartarmos a singularidade histórica dos vinhos de Condrieu e de Château Grillet, tradicionalmente varietais, a casta tem sido aproveitada maioritariamente para compor lotes, por vezes articulada com outras castas brancas, embora mais tradicionalmente associada a variedades tintas.

O Viognier prefere solos acídulos e embora se adapte com alguma facilidade a climas mais quentes raramente dá boa conta de si em condições que envolvam stress hídrico. É resistente à podridão e costuma proporcionar uvas com elevado potencial alcoólico, de acidez diminuta, infelizmente sempre com rendimentos muito baixos. Os aromas podem variar entre alperce, pêssego, pera Williams e flores, muitas flore,s com especial incidência no cravo. Por regra, envelhece mal e deve ser bebido no auge da juventude.



Rui Falcão | WINE - A Essência do Vinho