De 2004 a 2011

Os vinhos Altano Quinta do Ataíde Reserva que o grupo Symington produz na Quinta do Ataíde, no Douro Superior, conseguem o melhor de dois mundos. Isso mesmo ficou amplamente comprovado na recente apresentação efetuada nas caves Graham’s (que integrou uma prova vertical dos vinhos de 2004, 2005, 2008, 2009, 2010 e 2011): são vinhos descontraídos, relaxados e com uma boa relação qualidade-preço (em que o perfil das colheitas mais recentes, desde 2009, está assumidamente desenhado para agradar ao consumidor “mainstream”) mas nem por isso deixam de ter a marca distintiva que o grupo Symington empresta a todos os vinhos com a sua chancela.

Fazendo jus à história da quinta (que remonta ao século XVI e foi pioneira na plantação de Touriga Nacional no Douro), os Altano Quinta do Ataíde Reserva são produzidos exclusivamente a partir de uvas daquela casta. Outra característica fundamental destes vinhos – para além de serem varietais Touriga – é o envelhecimento exclusivo em barricas novas de carvalho americano de 400 litros. A verdade é que os Altano Quinta do Ataíde Reserva atingem níveis de complexidade pouco comuns em vinhos de uma só casta (de que 2011 é exemplo cabal) e a baunilha característica do carvalho americano está muito bem dissimulada nestes vinhos que nascem no planalto da Vilariça.

Os vinhos que provámos nesta apresentação das caves Graham’s foram classificados (numa escala de 0 a 20) com um intervalo cautelar ou “margem de erro” de dois pontos. Pretendeu-se assim minimizar a maior subjetividade da prova feita “in loco” e que, dadas as suas características, não obedeceu aos requisitos da “prova cega”.

Os primeiros três vinhos (2004, 2005 e 2008) correspondem à primeira fase do grupo Symington na Quinta do Ataíde e são ainda vinhos de lote com predominância de Touriga Franca. Os outros três vinhos (2009, 2010 e 2011) são posteriores à adoção da viticultura biológica na Quinta do Ataíde e são monocastas Touriga Nacional, como é agora característica e “imagem de marca” dos Altano Reserva Quinta do Ataíde.

 

ALTANO QUINTA DO ATAÍDE RESERVA 2004

Enorme frescura, notas mentoladas, mineral, madeira completamente integrada, taninos redondos mas firmes. Um vinho que evoluiu muitíssimo bem. 16 – 18

 

ALTANO QUINTA DO ATAÍDE RESERVA 2005

Vinho em que sobressai a elegância, com menos corpo, volume e estrutura do que o Reserva 2004. Mas as características aromáticas são similares. 15 – 17

 

ALTANO QUINTA DO ATAÍDE RESERVA 2008

Vinho ainda jovem, muito vigoroso e com taninos não completamente domados. Apesar de já dar prazer bebê-lo, tem margem de evolução para mais três ou quatro anos. 15,5 – 17,5

 

ALTANO QUINTA DO ATAÍDE RESERVA 2009

O primeiro Touriga Nacional 100% desta “série”, é um vinho redondo, perfeito, pronto a beber (e a vender). Com um perfil mais “moderno” e comercial do que os anteriores, com as notas  florais típicas da casta, marca o início de uma nova etapa do Quinta do Ataíde Reserva. Os consumidores de vinho neófitos vão gostar de bebê-lo no imediato. E fazem bem. 15 – 17

 

ALTANO QUINTA DO ATAÍDE RESERVA 2010

Vinho em que a frescura está em evidência, com notas aromáticas de rosas, violetas e bergamota. Revelou-se como o menos concentrado dos vinhos provados, talvez o vinho mais “curto” desta vertical, um pouco à imagem da colheita (pouco auspiciosa) de 2010. 14,5 – 16,5

 

ALTANO QUINTA DO ATAÍDE RESERVA 2011

Um grande ano, um grande vinho, exemplo maior de como um vinho monocasta pode ter tanta complexidade e revelar imensas “nuances” sensoriais. Citando um enólogo da Symington, é caso parta dizer que “em 2011 os vinhos fizeram-se sozinhos. Só foi preciso não estragar”. 16 – 18

Depois da prova vertical, esta apresentação dos Altano Reserva Quinta do Ataíde prolongou-se pela noite dentro numa espécie de sagração da recém-chegada primavera à beira Douro, com um jantar no restaurante Vinum a que se seguiu uma festa para convidados especiais com o emblemático DJ Chibanga.

Luis Costa | WINE – A Essência do Vinho