Por Nuno Guedes Vaz Pires, Diretor Executivo da revista WINE


Quanto valem os novos públicos do vinho? Inequivocamente, muito.

Se dúvidas ainda persistissem, a 12ª edição do “Essência do Vinho – Porto”, que decorreu recentemente, foi mais uma excelente prova. Dos cerca de 23.700 visitantes, mais de 50% tinham idade inferior a 45 anos. As novas gerações de consumidores abraçam o vinho e curiosamente, ou não, fazem-no num período onde em Portugal (e além fronteiras) uma também nova geração de produtores e enólogos já tem provas dadas e reconhecidas pelo mercado e pela crítica.

A abordagem ao vinho mudou. O Portugal sentado que comunicava o vinho para grupos restritos teve de levantar-se do cadeirão, vestir o vinho com “dress code” informal e deixar-se de linguagens que só alguns decifravam. Sim, o vinho continua à mesa, boa parte dos grandes vinhos continua a ficar reservada para muitas ocasiões especiais, mas cada vez mais o vinho é consumido numa esplanada ou num bar, entre dois dedos de conversa, e a abertura da garrafa de um grande vinho passou a ser, por si só, um momento especial.

Os novos consumidores de vinho obrigaram o setor a acompanhar a mudança de pensamento e estilo de vida. Quem conseguiu apanhar o comboio conseguiu posicionar-se primeiro, dentro e fora do nosso país, sendo que a mudança verdadeiramente conseguida seja aquela que não obriga a alterações de 360ºC, antes a um reposicionamento para atingir os públicos-alvo que se pretendem… e previamente se terão estudado.

A nova geração de consumidores é também mais exigente. Viaja mais, conhece mais, quer mais. Está, em contrapartida, mais disponível a novas experiências e recebe de bom grado o que é novo, o que é diferente. Essa nova geração já não é o futuro, é o presente e passou até, em muitas ocasiões, a representar a maioria.

Num mercado tão concorrencial entre vinhos (e dos vinhos com os espirituosos de sempre e as modas), quem produz vinho obriga-se, diariamente, a ir mais além, a tentar perceber as tendências, os nichos, a perscrutar o que estará para chegar. E só com essa visão desempoeirada, só com um correto posicionamento do produto (sim, o vinho é em última análise isso mesmo, um produto) se poderá abraçar o futuro.

A abordagem ao vinho mudou. Ponto. Felizmente.


WINE - A Essência do Vinho