Lançamento no Belcanto, de Avillez

 

No dia em que Bruno Prats e a mulher, France, celebravam 47 anos de matrimónio, um outro casamento era comemorado: o lançamento do Chryseia 2013 (PVP: 50€), a par dos também novos Post Scriptum 2013 (13€) e Prazo de Roriz 2012 (9€).

O enlace entre as famílias Prats (Bordéus) e Symington (Douro) concretizou-se em 2000, com o primeiro Chryseia. Rapidamente o rótulo haveria de se tornar dos mais icónicos entre os DOC Douro, posição reforçada pelas classificações mágicas obtidas na “bíblia dos vinhos”, a norte-americana “Wine Spectator”: o Chryseia 2011 começou por receber 97 pontos (a segunda nota mais elevada de sempre atribuída pela revista a um vinho tranquilo português) e fechou o ano 2014 como o terceiro melhor vinho do mundo no “TOP 100” da publicação.

A nova edição, 2013, apresentada por Ruper Symington e pelo próprio Bruno Prats, traduz-se num vinho profundamente elegante, de cor retinta, dominado pelos aromas silvestres e por alguma violeta, não fosse a Touriga Nacional constituir 70% de um lote, onde a restante proporção é de Touriga Franca. A boca, com alguma fruta vermelha e amora, obriga-nos a repetir adjetivação: comprova a imensa profundidade que se lhe adivinhamos no nariz, prometendo uma evolução longa e segura, sempre num registo de altivez e elegância, como uma manequim a desfilar na passerelle.

O lançamento do Chryseia 2013 (quinta-feira, 10 de setembro) reuniu a imprensa especializada e um convidado surpresa, Marcelo Rebelo de Sousa. Aconteceu pela primeira vez no restaurante Belcanto, o duas estrelas Michelin de José Avillez no Chiado, Lisboa.  O almoço começou por prometer, com entradas como gaspacho de cereja (uma criação de Avillez da temporada 2015), a azeitona XL-LX e o tremoço esférico com kaffir e piripiri, que acompanharam o champanhe Pol Roger Brut Rose Vintage 2006. Já à mesa seguiu-se um clássico do chefe , o “Ferrero Rocher” – que aparenta sê-lo, mas não o é –, o curioso “frango assado” e “a horta da galinha dos ovos de ouro, ovo, pão crocante e cogumelos”, tudo a combinar com o Prazo de Roriz 2012.

Um excelso “salmonete braseado, com milho de fígados e xerém de ameijoas à Bulhão Pato” conseguiu uma surpreendente harmonização com o Post Scriptum 2013. A fechar a componente principal do almoço, o “rabo de boi com grão, foie gras, tendões de vitela e creme de cebola com queijo da ilha” foi boa companhia à outra estrela, o Chyseia 2013. A fechar, a sobremesa “chocolate, banana e amendoim” para o Quinta de Roriz Porto Vintage 2000 – por falar na Quinta de Roriz (na foto), Ruper Symington anunciou que o Vintage de Roriz apenas passará a ser lançado em anos tido como excecionais.

Ainda a propósito deste almoço, um sublinhado. O compasso do serviço, mostrando um ritmo extremamente bem conseguido, que denota boa coordenação entre a cozinha e a equipa de sala. E todos sabemos que este tipo de ocasiões é propício a momentos de interminável espera, entre um e outro vinho, entre um e outro prato. 

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