Jantar com vinhos Quinta dos Murças

Alentejo e Douro sentaram-se à mesa na Foz do Porto. Os vinhos da Quinta dos Murças, a propriedade duriense do Esporão, estiveram em destaque quarta-feira, num jantar comemorativo dos 20 anos do restaurante Cafeína, um dos spots gastronómicos mais concorridos da Invicta  ao longo das últimas duas décadas. A ementa foi trabalhada por Pedro Bastos, o novo chefe de cozinha do restaurante da Herdade do Esporão, em Reguengos de Monsaraz, que há alguns anos havia estagiado na cozinha do Cafeína. Uma noite de celebração e reencontro, portanto.

“O tempo da terra” foi o título do jantar. As entradas – “torresmo de grão e tinta de choco com mousse de ovas fumadas de bacalhau”, “gaspacho, tutano e tapioca” e “lulas e feijão verde, presunto 40 meses DOP e uvas brancas”, uma das criações mais bem conseguidas – harmonizaram com o Assobio rosé 2014, vinho de cor apelativa e prova sem arestas. Seguiu-se “pregado, funcho e lagostim do rio”, que maridou com o Assobio branco 2014, vinho bem elaborado, com entrada direta para o patamar de brancos descomplicados no Douro.

“Porco preto alentejano, pastinaca e borras de Porto”, muito bem confecionado, serviu de pretexto de harmonização para duas colheitas do mesmo vinho, o Quinta dos Murças tinto Reserva. Na versão 2010 mostra-se mais disponível para agradar desde já; a colheita de 2011 revela um vinho ainda algo fechado, mas com toques de floresta, mineralidade, profundidade e elegância que cativam de forma superior e afiançam bom envelhecimento. O Quinta dos Murças Vintage 2011, ainda um bebé, combinou com uma curiosa e bem pensada sobremesa: “figos vermelhos, beterraba e hibiscos”. Com o café e os petit fours haveria de ser servida a aguardente Magistra, da Lourinhã. Os vinhos foram apresentados pelo novo enólogo residente da Quinta dos Murças, José Luis Moreira da Silva.

Em jornada de Champions, Vasco Mourão celebrou uma maratona de 20 anos de um conceito de sucesso na restauração e na mesa principal outros aniversários não passaram despercebidos. Veloso e Tê teriam razão a cantarolar “não há estrelas no céu”, mas o cinzento da noite portuense não ofuscou o brilho próprio de um jantar de reencontros entre Alentejo e Douro, na Foz.

JJS | WINE – A Essência do Vinho