Movimento foi lançado na cidade do Porto

 

A data fica desde logo registada: 25 de setembro de 2015. No Porto, no Salão Árabe do Palácio da Bolsa, três dos mais reconhecidos chefes de cozinha a operar no Norte do país empratavam, em simultâneo, outras tantas criações de autor. Tudo emitido em tempo real, em tela gigante, durante minuto e meio, para que a audiência de convidados não perdesse pitada da autêntica pintura que ali se desenhava e que marcava o lançamento do Culinar – Norte de Portugal, movimento de promoção e defesa da gastronomia e dos produtos enogastronómicos nortenhos, promovido pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte.

Durante a manhã, diferentes especialistas analisaram, apresentaram e perspetivaram tendências, ideias, projetos e eventos gastronómicos. Do Brasil, Felipe Rameh (restaurante Alma Chef, eleito “Chefe de Cozinha do Ano 2013 em Belo Horizonte, pela revista “Veja”), Eduardo Maya (idealizador e coordenador do projeto “Aproxima”, que pretende fazer de Minas Gerais o Estado gastronómico de primeira linha no Brasil) e Miguel Icassatti, jornalista e especialista em gastronomia, que focou a apresentação em São Paulo, a gigante da América do Sul, uma das grandes (senão a maior) capitais mundiais da gastronomia e restauração. Jaume von Arend chegou de Espanha para explicar o impacto dos fóruns gastronómicos de Barcelona, Girona e Corunha, Duarte Calvão relembrou a história de sucesso do  festival que dirige, o “Peixe em Lisboa”, Luis Alves falou do curioso e já internacional “Cantinho das Aromáticas” e Rui Falcão, crítico de vinhos da revista WINE – A Essência do Vinho, enquadrou os vinhos do Porto, DOC Douro e Verdes no contexto global do vinho, apontando caminhos possíveis para os vinhos portugueses conseguirem afirmar-se entre pares nos sempre disputados e competitivos mercados externos. Um fórum de partilha de realidades, com mais pontos em comum do que inicialmente se poderia imaginar.

Já com o Ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional no Salão Árabe, acabaria por ser o próprio Miguel Poiares Maduro a lançar apelos constantes de motivação a fazer mais e melhor pela gastronomia, pelos produtos e pela cozinha, numa intervenção marcada por várias analogias com a cinematografia – a outra paixão, a par da gastronomia, do governante.

O Manifesto, lido pelo economista e especialista em indústrias criativas, Carlos Martins, é um documento que depois de fazer um enquadramento da atualidade e contextualização da esfera gastronómica, aliada aos vinhos, à paisagem, ao património, à cultura e ao turismo, propõe um movimento para atuar em quatro eixos: “Qualidade e inovação; arte e criatividade; lifestyle e turismo; promoção e internacionalização”. E, a terminar, lê-se: “Culinar – Norte de Portugal quer gerar uma marca territorial forte nos produtos gastronómicos que a região exporta e criar condições para que mais produtos o possam fazer. Culinar– Norte de Portugal quer fazer do Norte de Portugal uma das regiões gastronómicas de excelência a nível mundial”.

A crer pelo almoço que se seguiu ao fórum, é mais do que possível enobrecer os produtos da região. Numa arrojada sessão, em que cada um dos seis pratos do menu era lançado e acompanhado por projeções multimédia, houve grandes momentos. “Crustáceos e bivalves da nossa costa, molho de caldeirada e caril”, de Ricardo Costa, foi simplesmente genial. “Caviar português: ovas de sardinha, azeite de Trás-os-Montes, legumes da Costa Verde” comprovou a razão pela qual Renato Cunha é dos mais criativos e dinâmicos cozinheiros da região. “Amêndoa do Douro, alfazema e Vinhos do Porto”, sobremesa de Pedro Lemos, contribuiu, e de que maneira, para o sucesso de uma experiência gastronómica  em que também participou o chefe brasileiro Felipe Rameh.

A intenção está expressa, o primeiro ato concretizado. Faltará ainda tudo o resto, que certamente só funcionará com o encontro de vontades e o supremo assumir do desígnio, individual e coletivo, de elevar os produtos e os protagonistas da região. Será certamente necessário Culinar. Muito. Mas, doravante, tudo o que possa acontecer teve início numa data: 25 de setembro de 2015.

JJS| WINE – A Essência do Vinho