E outros vinhos revelaram-se boas surpresas…

A apresentação do Vintage 2013 era o pretexto, mas a sessão que a Churchill’s organizou no Centro de Visitas em Vila Nova de Gaia revelou muito mais do que um Vinho do Porto que promete alcançar a longevidade e a excelência dos grandes Vintage. Com efeito, uma prova do mais recente portefólio da empresa fundada há 35 anos por John Graham – que assim regressou ao negócio que a família deixara em 1970, com a venda da Graham’s aos Symington – revelou um conjunto de vinhos muito interessante e singular, graças às características peculiares, vinhos prazenteiros que deixam uma impressão digital, que revelam um ADN muito próprio e são difíceis de arrumar nas catalogações “mainstream” – precisamente porque são vinhos diferentes das tendências mais comuns.

CHURCHILL’S ESTATES BRANCO 2015
Vinho feito de duas castas e cujo lote é constituído por Rabigato (70%) e Viosinho (30%), mas em que apenas uma quinta parte do vinho estagiou em barrica, o que explica bastante as suas características fundamentais: imensa frescura, fantástica acidez e uma notável mineralidade. PVP: 12€. 

CHURCHILL’S ESTATES ROSÉ 2015
Com um preço de venda do público a rondar os 8€, é um rosé honesto e agradável, um varietal de Touriga Nacional em que as notas de morango não monopolizam o vinho, assim proporcionando a perceção de aromas florais e de um leve citrino que confere ao vinho frescura e leveza.

CHURCHILL’S ESTATES TINTO 2013
Um vinho elegante e com boa acidez, com mais “finesse” do que volume, que não enche a boca mas que persiste no final, em que o nariz revela mais mirtilo do que amora e em que a fruta fresca está mais presente do que a madeira subtil. O PVP ajusta-se ao produto e anda na casa dos 8€.

CHURCHILL’S ESTATES TOURIGA NACIONAL 2013
Trata-se de um vinho varietal, um vinho que vai direto ao assunto, de uma só casta, e isso percebe-se logo no nariz e, sobretudo, na prova de boca. Aquilo que não revela em variedade e estrutura compensa largamente em frescura. Com um preço de mercado a rondar os 15€.

CHURCHILL’S GRANDE RESERVA 2013
O mais previsível dos vinhos provados, mas no bom sentido. Ou seja, tem tudo aquilo que se espera de um “vinhas velhas”, neste caso com aproximadamente 50 anos. Com melhor boca do que nariz, é um vinho com uma complexidade característica e fruta intensa, que se posiciona na faixa dos vinhos de 25€.

QUINTA DA GRICHA DOURO 2013
Muito mineral e com fruta fresca predominante – sobretudo mirtilos, embora num fundo discreto de amora madura – desdobra-se numa paleta de especiarias, vegetação seca e algumas notas florais. O que o distingue do Grande Reserva 2013? A sua origem exclusiva da Quinta da Grincha. Como diria o próprio John Graham, estamos perante “um vinho com nervo” que pode encontrar-se à venda algures entre os 50€ e os 60€.

QUINTA DA GRICHA VINTAGE 2013
Para quem gosta de Vintage novos, está prontíssimo a beber. Com enorme estrutura de taninos, fruta a transbordar no nariz e muita elegância, na boca revela-se resinoso e mentolado. O final é longo e persistente, como se impõe num Vintage com pretensão a justos pergaminhos. O que só o passar dos anos comprovará, como sabemos.

Luís Costa | WINE - A Essência do Vinho