O primeiro do género no Douro

É um rosé sofisticado, de grande nível, que promete marcar a história recente dos rosés produzidos em Portugal. O vinho rosé Reserva 2015 que a Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo acaba de lançar no mercado (com um PVP recomendado de 16€) honra os pergaminhos dos grandes rosés da Provença – região do sudeste de França que produz alguns dos melhores rosés do mundo – e obedeceu, seguramente, à boa prática enológica defendida pelo autor, Jorge Alves: “Não é a esmagar uvas como se fossem para vinho tinto que se obtém um grande rosé”.

Se assim o pensa, assim o fez. Com efeito, este rosé de uma delicadíssima cor salmão é verdadeiramente singular no panorama dos rosés portugueses, como pudemos constatar numa prova dos vinhos da colheita 2015 da Quinta Nova efetuada há poucos dias na vasta propriedade da margem direita do Douro, em pleno coração do Cima Corgo.

Com origem numa seleção de uvas de vinhas com 35 anos de Tinta Roriz e de Tinta Francisca, o Quinta Nova Rosé Reserva 2015 é simultaneamente delicado, elegante e com excelente estrutura. Trata-se de um rosé com apetência gastronómica que enche o palato de aromas e sabores que persistem, que provocam sensação de volume na boca, mas que deixam ficar um rasto de frescura e de mineralidade.

Um grande vinho rosé que é capaz de surpreender, inclusive, os consumidores mais exigentes e que fermentou a baixa temperatura (11-12ºC) durante 22 dias em cubas de inox, para finalizar o processo em barricas novas de carvalho francês e barricas de carvalho húngaro de 2º ano. (Nota de prova com intervalo cautelar de dois pontos: 16 – 18).

O lançamento do Reserva é acompanhado de um não menos interessante Rosé Colheita, embora de um patamar qualitativo necessariamente inferior. Mais aromático e consensual do que o seu “irmão” Reserva, estagiou parcialmente em madeira (apenas 20%) e chega aos pontos de venda com um PVP de 11%. Com uma cor atraente, é um vinho fácil de perceber que revela “nuances” muito curiosas de fruto silvestre com toque fresco de menta.

Pode parecer injusto, mas é preciso dizê-lo: não estivesse a ser provado (e comercializado) em simultâneo com o Quinta Nova Rosé Reserva 2015, e brilharia muito mais intensamente no firmamento dos grandes rosés portugueses. (Nota de prova com intervalo cautelar de dois pontos: 15 – 17).

Luís Costa | WINE – A Essência do Vinho