Mercado recebe 18.000 garrafas

Pela 18ª vez desde 1952, a Casa Ferreirinha vai lançar em novembro o novo Barca Velha, no caso em apreço da colheita 2008, que acaba de ser apresentado num jantar exclusivo que decorreu no cenário sumptuoso do Palácio de Monserrate, em Sintra, com uma ementa concebida pelo chefe Miguel Rocha Vieira, da Fortaleza do Guincho.

Fruto de um trabalho paciente que se prolonga por oito anos e que pode terminar – e muitas vezes termina – na decisão de não fazer Barca Velha, o mais aguardado e celebrado vinho tinto português é naturalmente um vinho extraordinário em que sobressai a frescura, a complexidade, a imensa estrutura e as sedutoras componentes balsâmicas.

Como sempre, a decisão de fazer o Barca Velha 2008 foi tomada sem pressas nem pressões, apenas quando se confirma ser inatacável, um segredo que faz a força do Barca Velha desde que Fernando Nicolau de Almeida lhe deu vida, em 1952.

É o próprio responsável máximo por este Barca Velha 2008 que revela o momento decisivo que protagonizou: "Faz agora um ano, fui caçar à Ilha Terceira e pediram-me para organizar um jantar vínico. Foi provado um Quinta da Leda 2008 [vinho da quinta homónima que é também o berço do Barca Velha] e a evolução evidenciada por este vinho durante essa prova veio solidificar a minha convicção, de que viríamos a ter um Barca Velha do mesmo ano."

Lote constituído por 50% de Touriga Franca, 30% de Touriga Nacional, 10% de Tinta Roriz e 10% de Tinto Cão, foi vinificado na adega da Quinta da Leda. Os vinhos que, nesta fase, potencialmente dão origem a Barca Velha, são transportados para Vila Nova de Gaia logo após o final da maceração onde, depois das fermentações de acabamento, são submetidos a "elevage" ou maturação durante 18 meses em barricas de carvalho Francês novo. O lote final foi elaborado com base na seleção continuada das melhores barricas, resultante das inúmeras provas e análises efetuadas durante este período.

O Barca Velha 2008 – de que se fizeram 18.000 garrafas numeradas – é um vinho com aromas complexos de frutos vermelhos e especiarias (pimenta e cravinho). Revela também um belíssimo aroma balsâmico e a cedro, bem como resina e caixa de tabaco. Sentem-se também notórios aromas de bosque.

Na boca evidencia um excelente volume, acidez viva, imensa frescura e taninos intensos – mas domados – revelando notas de frutos vermelhos, pimenta, cravinho e gengibre. O final é longo, elegante e harmonioso.

Um Barca Velha que promete evoluir de forma surpreendente ao longo dos próximos anos. E serão muitos e muitos anos, seguramente.

Luis Costa | WINE – A Essência do Vinho