Quinta do Síbio é aposta para a produção de DOC Douro

A Real Companhia Velha acaba de lançar quatro novas referências, constituídas por três brancos e um tinto, tudo vinhos provenientes da Quinta do Síbio – cerca de 100 hectares de vinha em pleno Vale do Roncão, paredes-meias com a Quinta da Romaneira – onde a empresa de Pedro Silva Reis está apostada na produção biológica de grandes vinhos DOC Douro.

Os vinhos que assinalam a entrada da Quinta do Síbio no universo de marcas da Real Companhia Velha têm a assinatura de Jorge Moreira: “Quinta do Síbio Samarrinho branco” (2015); “Quinta do Síbio Field Blend branco” (2015); “Quinta do Síbio Ananico branco” (2015); e “Síbio tinto” (2014), este último em edição numerada e que, a partir da colheita de 2016, será certificado como vinho biológico.

Produzido a partir de uma parcela de Vinhas Velhas onde a casta Viosinho é dominante, o vinho “Quinta do Síbio Field Blend branco 2015” tem um PVP de 15 euros e brilha sobretudo pela frescura e mineralidade. Fermentado e estagiado em inox durante seis meses, evidencia um forte perfil gastronómico, com um ataque de boca macio mas que termina com um ligeiro – e muito agradável – amargo de notas vegetais. Um branco que se situa num intervalo de pontuação entre 15 e 17.

Outro dos vinhos agora apresentados à imprensa especializada é o originalíssimo “Quinta do Síbio Samarrinho branco 2015”, fruto da aposta pioneira da Real Companha Velha na casta Samarrinho – uma caspa que tem uma intensidade aromática e um carácter floral muito característicos e que nos remetem para o universo sensorial da casta Riesling, prenúncio de que este branco – que chega ao mercado com um PVP de 17 euros – vai oxidar e envelhecer com enorme competência. Sem passagem pela madeira, neste vinho de corpo médio sobressaem as notas de fruta de polpa branca e a intensidade aromática das notas florais. Um branco que se situa num intervalo de pontuação entre 15,5 e 17,5.

Quanto ao “Quinta do Síbio Ananico branco 2015”, com um PVP de 15 euros, adotou o nome da parcela de que é originário. Também sem passagem pela madeira, este vinho está repleto de notas frutadas e florais, a que não será estranha a presença da casta Moscatel Ottonel – uma variedade de Moscatel pouco utilizada entre nós, mas muito presente na Áustria, Suíça, Roménia e Alsácia. Menos marcante (e também por isso menos “enjoativa”…) do que o Moscatel Galego, a utilização do Moscatel Ottonel neste vinho mostra-se mais no nariz do que na boca, pelo que o perfil do vinho surge muito bem embrulhado em notas de frescura, acidez e mineralidade. Um branco que se situa num intervalo de pontuação entre 15 e 17.

Finalmente, referência para o “Síbio Tinto 2014”, uma edição numerada de 6600 garrafas com um PVP de 50 euros. De produção biológica, integra no lote Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Francisca e Sousão, originárias de parcelas selecionadas. Trata-se de um vinho “topo de gama”, poderoso, com uma cor intensa e profunda e notas de fruta madura, que estagiou um ano em barricas novas de carvalho francês. Complexo e com taninos em evidência, é claramente um vinho de guarda, para dar mais prazer daqui a alguns anos. Um tinto que se situa num intervalo de pontuação entre 16 e 18.

A Quinta do Síbio conta com uma história rica e que remonta, segundo alguns historiadores, ao período da delimitação da Região Demarcada do Douro, tendo a propriedade permanecido nas mãos da mesma família até 1934, ano em que foi adquirida pela Real Companhia Velha. Em 1999 iniciou-se um ambicioso programa de investimento, com a recuperação dos muros bicentenários – que em muito contribuíram para a afirmação do Douro como Património Mundial da Humanidade, pela UNESCO, há precisamente 20 anos – e a plantação de novas vinhas. Mais recentemente, esta quinta foi alvo de uma anexação de 90 hectares de vinha – no planalto de Alijó e anterior pertença da Quinta do Casal da Granja, onde está instalado o único centro de vinificação da Real Companhia Velha.

Luís Costa | Revista WINE - A Essência do Vinho