Chuvas fortes de 2015 impediram produção de brancos

Uma vez mais com a assinatura de Sandra Tavares da Silva, acabam de ser apresentados à imprensa da especialidade os novos tintos da Quinta de Foz Torto, referentes à colheita 2014, um projeto de Abílio Tavares da Silva (produtor que, curiosamente, tem o mesmo apelido da enóloga da casa, mas por mera coincidência) localizado no coração do Douro, perto do Pinhão, precisamente na confluência dos rios Torto e Douro.

Os vinhos brancos (que neste caso seriam os da colheita 2015) é que estiveram ausentes da apresentação, uma vez que as chuvas fortes de junho desse ano destruíram 80% da cultura na vinha velha de castas brancas que o projeto Foz Torto possui em Murça.

Voltando aos tintos, deram-se a conhecer o Foz Torto 2014, um vinho verdadeiramente de lote que reúne sete castas diferentes, com predomínio da Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Francisca, mas que integra igualmente alguns “temperos” de Tinta Roriz, Alicante Bouschet, Sousão e Tinta Barroca. Apesar do elevado teor alcoólico (14,5%) e da fruta madura, este vinho – do qual se fizeram 4.000 garrafas e que chega ao mercado com um PVP de 12€ – revela equilíbrio e frescura no final de boca, mostrando uma pequena rugosidade, um ligeiro amargor, que lhe confere charme e personalidade. É um vinho com mais nervo e personalidade do que as versões congéneres de anos antecedentes, ao que muito terá ajudado o estágio em barricas de segundo e terceiro ano, o que proporcionou madeira bem integrada e que surge em plano secundário.

Com uma produção naturalmente menor do que a versão antecedente – sensivelmente 3.000 garrafas – o Foz Torto Vinhas Velhas 2014 chega ao mercado com um PVP de 30€ e mostra ser um vinho mais complexo do que o anterior, oriundo de vinhas velhas onde predomina a casta Rufete, com fruta muito polida e “nuances” de especiarias, e um “esqueleto” de taninos a prometer boa evolução em garrafa. Pode beber-se desde já, mas ainda é cedo para usufruir de todo o prazer que este vinho será capaz de dar.

Este lançamento de novas referências Foz Torto acontece seis anos após a estreia do projeto de Abílio Tavares da Silva, um lisboeta convertido às terras durienses que desde a primeira hora se propõe “fazer vinhos de qualidade superior e que integram o respeito pela natureza e saber humano”.

O projeto Foz Torto inclui ainda a vertente de enoturismo, estando previsto, no futuro, a recuperação da ruína existente na quinta e a construção de uma unidade de alojamento turístico. Por enquanto, estão disponíveis visitas à quinta, com prova de vinhos na adega, localizada no Pinhão, acompanhadas pelo próprio produtor.

Luís Costa | WINE – A Essência do Vinho