Casa celebra os 325 anos

Para assinalar os 325 anos de existência, a Taylor’s está a recriar a primeira exportação de Vinho do Porto da casa fundada em 1692 pelo comerciante inglês Job Bearsley. Foi ao ritmo dos tambores dos Mareantes do Rio Douro que zarpou do cais de Vila Nova de Gaia, rumo a Londres, um veleiro conduzido pelo navegador solitário Ricardo Diniz. A bordo, uma pequena pipa com Vinho do Porto que deverá ser desembarcada ainda esta semana na margem do rio Tamisa, seguindo-se um evento comemorativo na Torre de Londres.

A pretexto da efeméride que a Taylor’s está a celebrar com grande empenho e forte impacto mediático, diz Adrian Bridge, o diretor geral: “A nossa história confunde-se, muitas vezes, com a própria história do vinho do Porto porque, em 325 anos, sempre estivemos na linha da frente. Fomos pioneiros na criação de novas categorias de vinho do Porto, introduzimos a viticultura sustentável, desenvolvemos enologia de ponta, conservando práticas tradicionais, e abrimos caminhos difíceis para mercados que hoje são fundamentais para o negócio do vinho. Se hoje o vinho do Porto é um dos grandes clássicos em todo o mundo, deve-se também ao trabalho incansável da Taylor’s ao longo de gerações”.

No dia da partida de Vila Nova de Gaia, a Taylor’s organizou no seu restaurante um jantar para alguns convidados. Numa ementa com a assinatura do chefe Ricardo Cardoso, sobressaiu o lavagante com molho de ostras e citrinos que harmonizou com um curioso vinho branco inglês (Chapel Down Bacchus 2014), um varietal com aromas próximos do Sauvignon Blanc e uma boca com acidez cítrica muito viva e marcante. E porque a Taylor’s produz exclusivamente Vinho do Porto, também o prato de carne (vitelão maturado) teve de recorrer a um vinho da concorrência (o ainda jovem mas prometedor Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas 2014). Mas o jantar serviu sobretudo para a apresentação de um Tawny Reserva que vai assinalar os 325 anos da casa e para a exaltação de um Vintage que é já um clássico e não deixou ninguém indiferente: o Taylor’s Vintage 1977, servido em garrafa Imperial, seguramente o outro momento alto deste fim de tarde/noite em que o navegador solitário Ricardo Diniz rumou a Inglaterra, ainda hoje o principal mercado para as categorias especiais de vinho do Porto. 

LC | Revista de Vinhos