Perspicácia e vontade de surpreender, usada como ferramenta de marketing, têm sido apanágio da Ervideira. O certo é que os vinhos estagiados no Alqueva revelam diferenças significativas. As razões, ainda por descobrir, estão já a ser objeto de estudo, com a Ervideira a patrocinar, obviamente.

O Ervideira Espumante 2015, com e sem dégorgement, esteve submerso durante oito meses. Exibiu diferenças significativas, entre eles, face ao testemunha que não esteve submerso. Este último revelou maior índice de fruta madura, maior aveludado e de perfeita integração da bolha. Nos submersos, o que maturou com leveduras, revelou ser o mais rico e de traços de fermento mais definidos em relação ao que esteve submerso, mas com o dégorgement efetuado. Os submersos, no conjunto, revelaram uma frescura e vivacidade surpreendentes, com efeitos até na cor mais clara. 

No caso do Conde D’Ervideira Reserva branco 2015, a partir de Antão Vaz fermentado e estagiado com bâtonnage em barricas de carvalho húngaro, submergiu 30 metros durante oito meses. Notoriamente, os efeitos da submersão a expor maior frescura de estilo e de fruta, sentindo-se menos a barrica por comparação com o não submerso.  

Nos tintos, foram comparados o Conde D’Ervideira Vinho da Água 2014 (já no mercado) e o Conde D’Ervideira Vinho da Água 2015 (que irá para o mercado dentro de poucas semanas), ambos lado a lado com os homólogos não submersos – Conde D’Ervideira Reserva tinto 2014 e 2015. As diferenças foram bastante sensíveis. Nos submersos, dois dos principais efeitos asseguram silhueta de maior frescura e elegância, assim como diferente integração da barrica. Os não submersos, mostram mais especiarias, fruta confitada e maior arredondado na boca.

MM | Revista de Vinhos