Dentro de cinco a seis anos, o Município de Alenquer acredita ter criado uma nova casta em parceria com a cidade croata de Benkovac. O protocolo de colaboração está assinado, a investigação e a experimentação estão em marcha.

Em declarações à Revista de Vinhos, Paulo Franco, vereador na autarquia, explica que o projeto será concretizado através da Adega Cooperativa da Labrugeira (a única que sobrevive no concelho) e o INIAV – Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (polo de Dois Portos), do lado português, e a Universidade de Zagreb, do lado croata. Eiras Dias, docente no INIAV, é um dos elementos mais ativos no processo. 

Resultante da análise do património genético mais usado em Alenquer e Benkovac, pretende-se que a nova variedade seja utilizada nas duas geografias, constituindo o resultado final de um trabalho mais abrangente. Alenquer enquadra o projeto num âmbito alargado de proteção de castas autóctones menos divulgadas e com utilização nacional e regional. Numa primeira fase, aliás, através da Adega da Labrujeira, constituiu um campo ampelográfico com 55 variedades, para estudo e análise do comportamento vegetativo. 

A branca Vital tem sido das mais acarinhadas, tendo a adega lançado esta semana o Empatia 2016, vinho que será particularmente divulgado em Alenquer e também em Benkovac. No sentido oposto, um branco da casta Marastina e um tinto de Svrdlovina, ambos da colheita 2015, são vinhos croatas recentemente lançados naquele país e que serão igualmente difundidos pelo município de Alenquer, nomeadamente junto da restauração local, tendo a autarquia desafiado os operadores alenquerenses a pensar menus de harmonização para esses dois vinhos e também para o novo Vital.

De recordar que a Croácia é um dos países europeus que possui um assinável património genético, estimado em mais de 130 variedades nativas. 

José João Santos | Revista de Vinhos