Depois das caves Grahams, em Vila Nova de Gaia, e da Quinta do Bonfim, no Pinhão, a família Symington continua seriamente apostada em fomentar o enoturismo e acaba de abrir ao público as magníficas caves da Cockburn’s, em pleno coração do casco histórico gaiense, que para o efeito foram objeto de uma requalificação exemplar com acrescento de novas valências. Encantada com o que viu, a própria secretária de Estado do Turismo, Ana Godinho, presente na cerimónia de inauguração, não escondeu a enorme satisfação e sublinhou mesmo que “o enoturismo é o casamento entre dois setores que são estratégicos para Portugal”. E aproveitou para deixar no ar a notícia, em primeiríssima mão, de que a região do Douro foi escolhida para albergar um projeto pioneiro, transversal e integrador, na área do enoturismo, embora escusando-se a revelar, para já, mais pormenores.

As caves Cockburn’s albergam 6.518 pipas de Vinho do Porto – para além do equivalente a 10.056 pipas em balseiros – e são as mais extensas de V.N. de Gaia. Diferentes secções dos vários edifícios que as constituem foram agora adaptados para receber visitas, mas sem alterar, naturalmente, o caráter e função primordial: garantir o envelhecimento de Vinho do Porto.

Neste renovado “centro de visitas” da Cockburn’s, os visitantes entram por um pátio com lajedo de pedra e uma agradável pérgula, onde podem apreciar um cálice de Porto e onde futuramente surgirá um espaço dedicado a “food pairing”. Daqui acedem à receção (onde estão expostas aguarelas e desenhos originais do século XIX da autoria do Barão de Forrester) e a uma visita guiada pelo museu que perpetua a história da Cockburn’s – empresa fundada em 1815 que faz parte da Symington Family Estates desde 2010, o que muito contribuiu para o sucesso do Porto Reserva líder a nível mundial, o Cockburn’s Special Reserve (com seis medalhas de prata no “International Wine Challenge”, quatro medalhas de prata no “Decanter Award”s e quatro medalhas de prata no ”International Wine & Spirits Competition”). Entre outras preciosidades, o museu divulga o trabalho pioneiro de pesquisa de castas durienses desenvolvido por uma das figuras lendárias da Cockburn’s e do Vinho do Porto, John Henry Smithes, que aliás dá nome a uma das salas mais emblemáticas das renovadas Caves Cockburn’s – uma sala com apenas 6 mesas e 36 lugares sentados destinada a provas “premium” com Portos Vintage raros e Portos envelhecidos em madeira.

Na visita à Cockburn’s, sempre acompanhados por guias profissionais, os visitantes passam pelos armazéns de envelhecimento, têm oportunidade de conhecer a garrafeira de Porto Vintage (com vinhos produzidos em três séculos diferentes, desde os lendários 1868 e 1896, ao excecional 1908 e ao aclamado 2011) e podem usufruir de uma sala de provas – com 80 lugares sentados – e de uma loja de vinhos, acessórios, chocolates com Vinho do Porto e conjuntos de oferta.

Mas um dos “ex libris” desta visita será seguramente a tanoaria das caves, pois a Cockburn’s é a última casa de Vinho do Porto que mantém uma tanoaria totalmente equipada e operacional em Vila Nova de Gaia com uma equipa de sete tanoeiros. Aqui, os visitantes poderão ver os tanoeiros na lida diária a desmantelar, aduela a aduela, as pipas para proceder à manutenção, proporcionado um cenário que pouco mudou ao longo dos séculos. Ao lado da tanoaria encontra-se preservada uma máquina a vapor produzida em 1921 pela empresa Robey de Lincoln (Inglaterra) a qual foi usada até finais do século XX para gerar o vapor com que se aquecia a madeira empregue no fabrico de pipas. 

As caves da Cockburn’s têm acesso por carro (estacionamento disponível no local), por autocarro ou a pé. O preço da visita, por pessoa, começa nos 12 euros. A pré-reserva é necessária (pois trata-se de visitas guiadas) e pode ser feita no endereço www.cockburns.com/visit-us

Luís Costa | Revista de Vinhos