Por Nuno Guedes Vaz Pires, diretor executivo da revista WINE


Durante mais de um mês, a ViniPortugal promoveu os vinhos portugueses no Brasil, realizando mais de 20 formações para profissionais do setor e seis jantares para imprensa e formadores de opinião. A Essência do Vinho Brasil foi a empresa selecionada para concretizar este projeto no terreno, um trabalho em 12 cidades distintas, que acompanhei diariamente e sobre o qual gostaria de partilhar algumas conclusões.

Esta verdadeira maratona comprovou que o Brasil não deve ser encarado como um só mercado, mas antes como uma conjugação de diferentes mercados, cada um com as suas particularidades. Sendo aquele país um dos destinos preferenciais de exportação dos vinhos portugueses, acredito existir ainda uma enorme quota de mercado a ganhar pelos vinhos portugueses, sobretudo em cidades do interior do estado de São Paulo (como Ribeirão Preto e Campinas), e no estado do Rio de Janeiro. São Paulo, enquanto metrópole, está inundada de vinhos de todas as partes do mundo, pelo que ganhar presença aí é mais difícil.

À variabilidade diferenciadora de castas e boa relação qualidade/preço para vinhos do Velho Mundo, os vinhos portugueses beneficiam de dois outros fatores em comparação direta com os mais sérios concorrentes de mercado no Brasil (Argentina, Chile, Itália, Espanha e França): a ligação histórico-cultural e a língua. Falar do vinho português em português (com ou sem sotaque) é notoriamente uma vantagem junto da esmagadora maioria dos brasileiros. Quem se expressa em castelhano, italiano, francês ou inglês tem logo aí um problema acrescido de comunicação.

E por que não começarmos seriamente a equacionar a figura de um embaixador do vinho português no Brasil? Rui Falcão, o crítico de vinhos da WINE-A Essência do Vinho que ministrou estas ações de formação da ViniPortugal e orientou os jantares com a Imprensa brasileira, teve uma aceitação notável. À fantástica capacidade de comunicação demonstrada aliou o conhecimento profundo dos vinhos portugueses e do mundo, permitindo-se a explicações e respostas prontas, concretas. Um português a falar de vinhos portugueses relevou-se claramente uma mais-valia que dificilmente seria igualável por um protagonista de outra nacionalidade.

Portugal tem insistido, e bem, no Brasil. Deve continuar esse caminho. E tudo aponta para que a medida de salvaguarda ao vinho importado não seja aprovada, o que ainda poderá ajudar mais esse trajeto. Os brasileiros estão a despertar para o vinho e como público curioso que são documentam-se previamente, querem saber os detalhes de um determinado vinho, desejam conhecer protagonistas e interpelá-los com questões que têm conteúdo. Se a isso juntarmos o poder de compra crescente de grande parte da população e o aumento de notoriedade do vinho em jornais e revistas, na rádio, na televisão e nos blogues, temos razões acrescidas para firmemente acreditar que os vinhos portugueses já têm um grande presente no Brasil e um prometedor futuro por escrever.

Com ações como estas, que a ViniPortugal desenvolveu, tudo pode ficar mais claro, mais facilitado. Para a Essência do Vinho foi uma honra ter percorrido estes mais de 7.000 quilómetros no Brasil, com a bandeira do vinho português.


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