Da mais tradicional, em pão bijou, passando pela “especial”, com ovo, a de gambas, de carnes brancas, com bife, de vitela fumada ou simplesmente vegetariana. O molho, tido como o grande segredo da confeção, envolve cada uma destas versões tornando-as, logo aí, únicas.

Cinco dos mais prestigiados restaurantes e cervejarias do Porto estarão representados no FRANCESINHA NA BAIXA, festival gastronómico que celebra a francesinha e se inicia já na próxima sexta-feira, dia 9, prometendo seduzir portuenses e visitantes da cidade até dia 18.

O evento insere-se no projeto “1ª Avenida - Dinamização Económica e Social da Baixa do Porto”, promovido pela Porto Vivo - Sociedade de Reabilitação Urbana, Porto Lazer e Câmara Municipal do Porto, e é organizado pela empresa EV-Essência do Vinho.

Durante dez dias, os restaurantes Alicantina, BB Gourmet, Capa Negra, Cufra e Porto Beer reúnem-se no mesmo espaço, a Praça D. João I, e proporcionam aos visitantes mais de uma dezena de opções de francesinhas, das clássicas às vanguardistas. No menu haverá ainda possibilidade de escolha de diversas entradas e sobremesas mas, claro, a francesinha centrará as atenções.                                                                  

O evento desafia ainda conceituados chefes de cozinha a preparar uma francesinha de autor, em sessões de cozinha ao vivo. Rui Paula (dia 9, 22h), Nuno Diniz e Rui Martins (dia 10, 17h), Vitor Sobral (dia 11, 13h), Luis Américo (dia 16, 22h), Dalila e Renato Cunha (dia 17, 17h) vão reinterpretar a francesinha e, por certo, surpreender a audiência. No último dia, 18 de novembro, as crianças poderão participar num momento só para elas, inspirado na temática da cozinha e orientado pela Nutrir.

Com abertura agendada para a próxima sexta-feira, pelas 19h, o FRANCESINHA NA BAIXA estará disponível nos restantes dias, com os restaurantes representados e em funcionamento permanente, das 12h às 24h.

O acesso ao FRANCESINHA NA BAIXA terá uma entrada de consumo obrigatório de 2€ por pessoa, valor que já no interior do recinto poderá ser trocado por uma cerveja. As degustações nos restaurantes variam entre os 2€ e os 12€ (entradas, francesinhas e sobremesas). A participação nas sessões de cozinha ao vivo é livre, mas sujeita a inscrição prévia no local.

Um historial
com 60 anos

Dizem, com razão, que uma mulher pode dar a volta à cabeça de um homem. Ora, as francesas da década de 50, estreando a minissaia pelas ruas de Paris, ficaram na memória de Daniel David Silva, o emigrante português de Terras de Bouro, Braga, que nelas se inspirou para batizar a iguaria portuense.

O protagonista desta história emigrou adolescente para Paris, ao encontro de uns tios, para trabalhar na hotelaria, como barman. Pródigo no que fazia, volvido algum tempo foi desafiado a regressar a Portugal, ao Porto em concreto, com a promessa de ter quota na Regaleira, casa emblemática da Baixa da cidade. Astuto para o negócio, trouxe de Paris a inspiração do “croque-monsieur” e tanto insistiu numa nova criação, tão ou mais picante que a mulher francesa, que assim deu a conhecer ao Porto (e ao mundo) aquela que se tornaria numa iguaria reconhecida por todos.                                                                                                                 

Salsicha e linguiça frescas, fiambre, queijo amarelo e pão (primeiro o tradicional bijou, mais tarde o pão de forma) são os ingredientes base da iguaria que tem convencido gerações ao longo dos últimos 60 anos. A estes produtos têm-se juntado outros, sobretudo a carne assada, o bife e o ovo, que constam da francesinha elaborada por dezenas de cafés, cervejarias e restaurantes portuenses, que têm apostado na francesinha, em especial a partir de meados da década de 80, nos respetivos menus.

Recentemente, o jornal brasileiro “O Estado de São Paulo” avisou que “ir ao Porto e não saborear uma francesinha equivale a visitar Roma e não ver o papa”. Já o popular sítio de Internet “AOL Travel” elegeu-a como uma das 10 melhores sanduíches do mundo.

Entre os próximos dias 9 a 18, o FRANCESINHA NA BAIXA celebra este emblema da cozinha tripeira, na Praça D. João I.

O “1ª Avenida - Dinamização Económica e Social da Baixa do Porto” é um projeto comparticipado pelo Programa Operacional Temático Valorização do Território (POVT), do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN 2007-2013), no domínio de intervenção “Ações Inovadoras Para o Desenvolvimento Urbano”, integrando o Eixo Prioritário V - Infraestruturas e Equipamentos Para a Valorização Territorial e no Desenvolvimento Urbano, e irá decorrer até ao final de 2013, tendo como área de intervenção toda a zona dos Aliados e a sua envolvente mais próxima, numa área total de 17,4 hectares, delimitada pela Rua de Sá da Bandeira, Praça da Trindade, Estação de São Bento, Largo dos Lóios e Rua do Almada.


José João Santos | WINE-A Essência do Vinho