A Quinta do Pessegueiro está por estes dias a apresentar no mercado dois novos tintos do Douro, ambos da colheita 2010: o Quinta do Pessegueiro, um vinho estruturado e profundo, muito assente em vinhas velhas; e o Aluzé, um vinho que prima pela versatilidade de consumo e que foi recentemente distinguido com medalha de prata no concurso internacional “Decanter - Asia Wine Awards”.

Com enologia de João Nicolau de Almeida, os vinhos resultam de um ano vitícola que conheceu um inverno e início de primavera muito chuvosos, que contribuíram para repor a humidade nos solos, facilitando o desenvolvimento das vinhas. Durante a fase de maturação, o clima foi quente e seco e no início de setembro alguma precipitação auxiliou ao amadurecimento final das uvas. 
 

O Aluzé tinto 2010, o vinho de entrada de gama da Quinta do Pessegueiro, com PVP de 10,50€, resulta de um lote das castas Touriga Nacional (35%), Touriga Franca (30%), Vinhas Velhas (20%) e Tinta Roriz (15%). Foi vinificado em balseiros de madeira e cubas de aço inox, tendo envelhecido apenas em balseiros, o que lhe conferiu notas muito suaves e integradas de madeira.

“Apresenta uma cor com brilho, não muito carregada, vermelha, com tonalidades violeta. O aroma é fino e fresco, lembrando frutos do bosque. Surgem também alguns apontamentos florais e de especiarias, como a pimenta e o cravinho. Na boca tem um ataque muito fresco e direto, revelando logo depois volume e acabando com final fino e certeiro”, descreve João Nicolau de Almeida.

O Quinta do Pessegueiro tinto 2010, o vinho que na atualidade melhor exprime o terroir deste novo projeto do Douro, resulta de um blend de Touriga Nacional (35%), Vinhas Velhas (32%), Touriga Franca (25%) e Tinta Roriz (8%). A vinificação decorreu em lagares e balseiros de madeira, tendo estagiado durante 18 meses em barricas de carvalho francês e austríaco. O PVP é de 22,00€.

“Revela aroma fresco, com notas mentoladas e frutos vermelhos. Surgem também ´nuances´ a terra molhada e rocha, traços de mineralidade. Na boca começa fresco e com taninos finos, mostrando-se logo a seguir mais encorpado e confirmando as notas aromáticos, terminando direto e persistente”, avalia João Nicolau de Almeida.

No Douro como em Provence,

à procura da excelência

A Quinta do Pessegueiro é um dos mais recentes projetos do Douro, conhecendo desde junho deste ano um novo impulso, com a construção de uma sofisticada adega na propriedade, localizada em Ervedosa do Douro, São João da Pesqueira, no coração do Douro Vinhateiro, Património da Humanidade.

O projeto é liderado pelo francês Roger Zannier, um empresário de sucesso que criou o maior grupo têxtil mundial ligado à moda infantil. Foi precisamente no âmbito de visitas recorrentes a Portugal relacionadas com a atividade têxtil que Zannier descobriu o Douro e se apaixonou de imediato pela Quinta do Pessegueiro, que adquiriu em 1991. Iniciou-se a reconversão de vinhas e a plantação de novas áreas, que na atualidade estão dispersas por três parcelas muito próximas.

Em 2006, Roger Zannier e o administrador geral do projeto, o borgonhês Marc Monrose, seu genro, apostaram na contratação de um enólogo jovem, com passado familiar ligado ao vinho e formação na França. João Nicolau de Almeida, neto de Fernando Nicolau de Almeida e filho de João Nicolau de Almeida, dois nomes maiores do Douro, orientou todo o processo de transformação da propriedade, associando as mais modernas técnicas de viticultura e enologia aos saberes ancestrais do Douro.

Foi também com esse espírito que liderou a construção de uma sofisticada adega, que se destaca, entre outras particularidades, pelo design arrojado e pela inexistência de bombas na condução do vinho em cada etapa. O modelo de gravidade na circulação de vinhos é total, estando a adega dotada de um sistema único em Portugal, uma cuba elevador, que auxilia no cumprimento desse processo. Com quatro níveis, a adega da Quinta do Pessegueiro permite o convívio de três sistemas de vinificação e alia a mais moderna tecnologia aos lagares para pisa a pé. Os vinhos ali finalizados pretendem afirmar-se entre os melhores, assumindo um perfil de elegância e finura que os distinga facilmente.

Além da Quinta do Pessegueiro, Roger Zannier detém o Château Saint Maur, um AOC Côtes de Provence, França.

José João Santos | WINE-A Essência do Vinho