A família Mota, acionista de referência da Mota-Engil – apresentou esta semana à Imprensa o renovado projeto de produção de vinhos, em Amarante, sob a designação Adega do Salvador.

O rebranding de marcas passa a apostar em três segmentos.A marca Quinta da Calçada detém os topos de gama, a marca Portal da Calçada posiciona-se num nível intermédio e o Lago Cerqueira fica somente dirigido à exportação, num segmento que privilegia a relação qualidade/preço. Entre vinhos tranquilos e espumantes, contas feitas a Adega do Salvador passa a deter quatro vinhos brancos, um rosé e dois espumantes (um deles um Reserva), todos produzidos na zona de Amarante, na região dos Vinhos Verdes. O foco de distribuição e venda será no canal Horeca e retalho especializado, pela mão da Pernod Ricard Portugal. 

A apresentação do relançamento do projeto Mota aconteceu no hotel de charme Casa da Calçada, no centro histórico de Amarante, em concreto no restaurante Largo do Paço, uma estrela Michelin, onde pontifica na atualidade o chefe de cozinha Vitor Matos. O Portal da Calçada Reserva 2012 harmonizou com “cavala marinada com granizado de gaspacho”, o Quinta da Calçada Edição Exuberant 2012 acompanhou “salmonete com molho de ouriço do mar, percebes, cannellone de carabineiro e algas” (o prato mais conseguido da noite), seguindo-se o Quinta da Calçada Edição Terroir 2012 com “bacalhau de meia cura com gelatina de azeitona negrinha, polvo, esmagado de salada de grão de bico e sucos de pimentos assados”, o Quinta da Calçada Edição Reserva 2012 maridou com “pintada recheada com pistácios e molho Perigourdine, emulsão de trufa, beterraba de foie gras e ruibarbo confitado” e, por fim, o espumante Portal da Calçada Seco aliou-se a uma sobremesa de “pêssego, baunilha e frutos secos em diversas texturas”.

A ligação da família Mota ao vinho iniciou-se com Manuel António da Mota, avô da atual geração que lidera o projeto vitícola. Por iniciativa de António do Lago Cerqueira, em 1927 foi plantada vinha na Quinta da Calçada (também pertença da família), que hoje integra um processo de classificação como património da região dos Vinhos Verdes. A viticultura começou por ser um passatempo familiar que foi ganhando cada vez mais expressão, ao ponto de nos anos 60 do século passado os vinhos da Casa da Calçada terem uma forte presença no mercado regional, em alguns pontos do resto do país e até junto das comunidades portuguesas no estrangeiro. A produção média dos anos mais recentes ronda as 300.000 garrafas, grande parte vendida “à porta da adega”. Com a construção de uma nova adega, que integra um investimento global na ordem dos 1,5 milhões de euros, esse volume deverá aumentar até às 750.000 garrafas mas, garantem, sem beliscar uma filosofia pouca interventiva na vinha e o lançamento, em breve, de um Vinhas Velhas, já em fase final de estágio.

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