"O que significa património, exatamente?" A indagação foi levantada por Harry Eyres, na edição de sexta-feira do “Financial Times”, inspirada numa visita aos  "edifícios mais decrépitos que alguma vez [viu]". O reputado jornalista inglês referia-se ao morro da Sé Catedral do Porto, onde esteve a analisar um projeto de restauração do património histórico local, resultante de uma parceria público-privada, cofinanciada pelo Banco Europeu do Investimento.

No artigo, que intitulou "Velha Europa suporta o futuro", Harry Eyres não deixa de realçar os encantos da parte velha da cidade do Porto, como as casas revestidas a azulejos, as igrejas góticas a par de palacetes do século XVIII, as torres barrocas e o majestoso rio Douro. Descreve-a mesmo como "uma das mais fascinantes, com personalidade e subestimada em termos de beleza da Europa". O cerne da questão estará no complexo desafio que representa preservar uma zona que é Património Mundial da Unesco e, simultaneamente, "tão pobre e degradada", apontando o dedo ao excesso de regulamentos e burocracias, especialmente ao regime de propriedade e arrendamento existentes em Portugal, que travam grande parte dos esforços. "Seria mais fácil demolir tudo e realojar os residentes em apartamentos modernos, salubres e arejados", ironiza.

Por isso, o jornalista defende a intervenção privada em projetos de recuperação do património histórico com financiamentos públicos e propõe que se integre nestes projetos não só motivações de ordem económica, como a dinamização dos centros urbanos e consequente aumento do turismo, mas também preocupações estéticas, culturais e sociais. "Património não é apenas ou principalmente, como alguns argumentam, edifícios, mas também pessoas, maneiras de fazer as coisas, memórias", conclui.

 

Redação | WINE - A Essência do Vinho