Consciente da crescente escassez dos recursos hídricos, a Sogrape Vinhos iniciou em 2008 uma investigação para a redução dos consumos de água na viticultura das zonas mais quentes do país, tendo conseguido, nos últimos três anos, uma redução de 20% deste consumo pela vinha em produção na Herdade do Peso.

Esta poupança resulta de uma nova metodologia implementada pela Sogrape Vinhos, desenvolvida a partir do modelo criado pelo Institut National de Recherche Agronomique (INRA) francês e adaptada às condições particulares do Alentejo e às castas utilizadas nesta região, “com o objetivo de limitar a utilização da água ao mínimo indispensável para obter vinhos com a qualidade pretendida”, explica António Graça, responsável pelo departamento de Investigação & Desenvolvimento da empresa. “A ideia é aumentar ao máximo a eficiência de utilização deste precioso recurso e passar da abordagem habitual de regadio para uma estratégia de gestão da secura, apropriada para uma planta como a vinha, que consegue sobreviver com bons resultados mesmo em condições de semi-aridez”, conclui. 

João V. Porto, diretor de viticultura da Sogrape Vinhos, assegura que esta racionalização do consumo de água se tem vindo a refletir positivamente na qualidade das uvas e vinhos produzidos na Herdade do Peso, transportada cada vez mais para níveis superiores. “Quando sujeita a uma ligeira secura, a videira concentra a energia na uva e não nas folhas ou ramos, o que leva a uma acumulação positiva nos frutos de açúcares, precursores aromáticos, pigmentos e taninos”, explica. Esta mesma tecnologia está agora a ser introduzida no Douro - na Quinta da Leda -, região igualmente marcada por condições de secura e temperaturas elevadas, onde a situação de viticultura de montanha e o relevo acidentado colocam desafios adicionais.

 

Redação | WINE - A Essência do Vinho