A seleção portuguesa de futebol estreia-se esta segunda-feira no Campeonato do Mundo que está a decorrer no Brasil. Pois bem, a revista WINE – A Essência do Vinho escolheu um “onze” de grandes vinhos portugueses, que certaria venceria ou daria árduo combate a outras grandes seleções do mundo. Sim, também incluímos um “Ronaldo”.Os selecionadores foram Nuno Guedes Vaz Pires, diretor da WINE, Luis Costa, editor, José João Santos, editor-adjunto, Rui Falcão, crítico de vinhos, e Manuel Moreira, sommelier e crítico de vinhos.


Guarda-Redes: Barca Velha 1999

Ainda jovem e fechado, impressiona pela juventude de aromas, pela alegria da fruta que revela cereja, ameixa, groselha preta, mirtilos e um fundo de mina de lápis, tabaco e cedro. Harmonioso e sereno mostra-se elegante, equilibrado e terrivelmente sedutor, terminando longo e imperturbável.Guarda-redes porque tem a serenidade, tensão, apuro, equilíbrio e maturidade para ocupar a posição de maior responsabilidade na equipa. Além disso é aquele que tem maior longevidade, tal como é tendência nos guarda-redes.

 

Lateral Direito: Barbeito Mãe Manuela

Cor ouro velho, complexidade e mistério que assaltam os nossos sentidos, sempre com fôlego renovado, que se expressa na multiplicidade de sensações. Citrinos, confitados, figos, compotas e desidratados, especiarias, balsâmicos e canforados de enorme alcance. Estrutura sólida, tenso e alongado, repleto de recursos de diálogo perpétuo entre acidez, doçura e sedução.Defesa lateral porque se exige enorme resistência para percorrer vezes sem conta a faixa. Elemento multifacetado, pois tem que defender, compensar e atacar, de equilíbrios específicos, fazendo a ponte entre muitas das dinâmicas da equipa.


Defesa Central: Soalheiro Alvarinho Primeiras Vinhas 2012

É uma espécie de Riesling português. Nasce em vinhas velhas cuidadas como só o carinho familiar consegue, revela-se em notas tropicais e de uma mineralidade única, tem a acidez e a consistência de vindimas que apenas está ao alcance dos grandes. Possui a estrutura e a firmeza que se impõem para quem joga como central, num estilo que nos lembra um certo jogador português, provavelmente o melhor de todos os tempos naquela posição, que um dia quebrou a serenidade e se incompatibilizou com o selecionador. Mas, não há Bento que afaste este vinho da nossa seleção.


Defesa Central: Quinta de Pinhanços Altitude 2010

Maioritariamente de vinhas velhas da casta Encruzado, uma das coqueluches do Dão, apresenta citrinos, muita mineralidade, estrutura à prova de bala e do tempo. Tem a estatura de quem nasce no sopé da Serra da Estrela, está à altura do que se espera de um defesa central, mostra serenidade mas muito carácter e possibilidade de evolução para lá do que tantas vezes é expectável num vinho branco, como que a dizer que aguenta o tempo regulamentar e o prolongamento. Faça o que fizer, nunca o consuma de penálti. Prove-o, como diria o selecionador, com toda a tranquilidade, como quem saboreia uma conquista.


Lateral Esquerdo: Quinta do Ribeirinho Pé Franco 2010

A Baga é das mais caprichosas castas tintas portuguesas, mas desde que bem cuidada consegue vinhos extraordinários. É o caso, num vinho emblemático que nasce de vides plantadas diretamente em chão de areia, como era comum na época pré-filoxera. Aromas finos e elegantes, a frutos vermelhos, e uma estrutura imensa, com uma acidez domada mas que promete longa vinda.Está, como um lateral, pronto a surpreender e a rasgar pelo corredor, com intervenções que podem ajudar a decidir um jogo.


Médio: Mouchão Tonel 3-4 1996

Corrupio de sensações que se abrem ao longo da prova, desvendam à vez as notas de fruto preto, ameixas secas, mentolados secos e tostados, assim como um fumado exótico na profundidade. Corpo sólido, polido pelo tempo, vigor e amplitude, suculência e persistência cativante.Médio centro, camisola seis, elemento que mostra robustez, amplitude no raio de ação, estrutura para “box-to-box” e complexidade equivalente à enorme variedade de ações a tomar, tal como a inteligência dos equilíbrios adquirida pelo tempo.


Médio: Principal Tête de Cuvée Rosé

Tem a delicadeza floral de alguns vinhos brancos e a raça dos tintos jovens. Mas é um rosado Pinot Noir feito no coração da Bairrada. Trata-se de um rosé de nível mundial que despertou para a “modalidade” na colheita de 2009. Vibrante, mineral, é elegantíssimo e adequado à marcação de livres de bola parada ou penáltis. Polivalente e com assinalável resistência, é capaz de jogar em qualquer posição no terreno de jogo.


Médio: Trilogia Moscatel de Setúbal

Quando numa só garrafa estão reunidas três colheitas emblemáticas de um século – 1900, 1934 e 1965 – podemos esperar o melhor. É o que acontece com este moscatel de cor topázio, aromas intensos a mel, avelãs, nozes e amêndoas, e um equilíbrio sublime entre acidez e açúcar.Está, como um médio que apoia o ataque, pronto a definir o jogo, a estabelecer ritmos, a conduzir uma nau a bom porto.


Ala Direito: Quinta do Noval Vintage Nacional 1963

Vinho impressionante, com taninos sólidos, poderoso, fulgurante. Notas suaves de chocolate, mel e rosmaninho. Final persistente, que dura, dura e dura. Se não é o melhor, é seguramente um dos melhores Vintages de todos os tempos. Um avançado imbatível. Custa à volta de 6.000€ euros Pois custa. Mas não tem Cristiano Ronaldo quem quer. Um vinho indispensável na seleção portuguesa.


Ala Esquerdo: Estremus 2011

Passou a figurar entre os melhores do Alentejo. Tem aromas a groselha madura, algum mentolado e um fundo mineral. É um vinho muito profundo mas de tal forma bem desenhado que consegue corresponder aos mais exigentes.Como convém a um avançado que jogue pelas alas, se fosse jogador da bola por certo conseguiria cruzamentos a régua e esquadrado, milimétricos, direitinhos à concretização bem sucedida do ponta de lança.


Ponta de Lança: Pintas 2010

Escuro, poderoso, intenso, vibrante, frutado e floral, mineral e carnudo, segue as pisadas da filiação tão característica dos Pintas, num misto de serenidade e provocação, de suavidade e musculatura, sempre com a fruta madura e indecorosa a conduzir os destinos.Ponta de lança porque é um vinho impetuoso, energético e irreverente, como se pede a um ponta de lança. Mas é igualmente denso e profundo, incansável e cheio de energia, capaz de explosões nos momentos decisivos.

Redação | WINE – A Essência do Vinho