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RENÉ SANDOVAL

RENÉ SANDOVAL

FOI UM VERÃO que René Sandoval não esquecerá nunca. A opção de se inscrever num curso de culinária para estar perto de uma adolescente de quem gostava resultou no fascínio pelas coisas da cozinha. E tanto assim foi que, nesse curso, René ficou num turno diferente e outra opção não tinha do que prestar atenção ao que lhe ensinavam. O namorico não avançou, mas ainda hoje René Sandoval mantém uma amizade com aquela rapariga, agora mulher. A partir daí, este chefe frequentou mais cursos de culinária até concluir o bacharel em Gestão Hoteleira. Os acasos na vida de René Sandoval não se ficam por aqui. Nascido há 39 anos em Manila, capital das Filipinas, foi todavia na vizinha Espanha que começou mais a sério na restauração. Depois de ter conhecido um chefe já experimentado, foi convidado a trabalhar num restaurante e, ciente do desafio, logo se disponibilizou a ficar à experiência durante três meses, sem auferir qualquer remuneração. Seguiram-se outras etapas em Espanha e também a bordo do Sea Princess, um prestigiado navio cruzeiro. No nosso país, René passou pelas cozinhas do Tivoli Marinotel, Crowne Plaza Resort Madeira e Vila Vita Parc Hotel. Actualmente lidera o restaurante do Sofitel Thalassa Vilalara, em Alporcinhos, no Algarve, região que já o conquistou. Gosta do clima, do sentimento de segurança e da forma como os algarvios o acolheram, fazendo questão de dizer que apenas sai de Portugal para frequentar cursos de cozinha diversos.

PRATO FILIPINO PARECE… COZIDO À PORTUGUESA
René Sandoval gosta de pesquisar e estudar diferentes formas de confecção de pratos, mas rejeita uma cozinha demasiado elaborada. Entende que um chefe é também um gestor que precisa de estar atento à equipa que lidera, à avaliação de custos e ao tempo de serviço das refeições. Admite que no Algarve trabalha, na maioria, para turistas que ali se encontram, essencialmente, em gozo de férias. Procura que, para além do sol e da praia, guardem também na memória sabores de uma cozinha cuidada, para poder ser esse mais um motivo para um dia regressarem. Já adaptado aos produtos portugueses, René Sandoval não encontra diferenças substanciais entre a cozinha ibérica e a das Filipinas, país que durante três séculos foi colonizado pelos espanhóis. Aliás, garante que existem muitas semelhanças entre o “putchero”, um prato usual filipino, e o bem nosso cozido à portuguesa.

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