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JOÃO RODRIGUES
NO FINAL DO ANO PASSADO, um bacalhau cozinhado a baixa temperatura, um duo de cordeiro com pá recheada de camarão e um “sabayon” de laranja com bolo de azeite, gelado de chocolate negro, creme de limão e praliné de noz convenceram o júri do concurso que anualmente elege o melhor chefe cozinheiro. Tinha sido a primeira participação de João Rodrigues e logo com uma vitória, o que certamente lhe terá levado a recordar a conversa que um dia, aos 21 anos, teve com a irmã - aquela que mais o incentivou a fazer da cozinha profissão, por apreciar particularmente as iguarias que o “mano” ia preparando lá por casa. João Rodrigues fez formação em hotelaria e turismo e, apesar de ainda jovem, já conta no currículo trabalhos com prestigiados chefes, incluindo Stéphane Hestin e Sebastien Grospellier. Além do restaurante Varanda, do Hotel Ritz Lisboa, João conhece os bastidores do Lisboa Plaza Hotel e do Bica do Sapato. Actualmente é subchefe no restaurante Pragma, no Casino de Lisboa, estando sob a orientação de Fausto Airoldi. Ao lado de nomes consagrados, João Rodrigues já percebeu que um bom chefe de cozinha é também um gestor de recursos humanos e materiais, motivos que o levam a ambicionar ser mais do que alguém que sabe cozinhar bem. Ciente de todas as influências que tem vindo a receber, o cozinheiro do ano em 2007 recorda as palavras do guru catalão Ferran Adrià para argumentar que na cozinha já está tudo inventado, sendo necessário ter mais ponderação quando se tenta uma nova criação. João Rodrigues assume que tenta um regresso ao passado, captando formas de fazer mais antigas e tradicionais, que o ajudem a perceber o que já foi realizado e aquilo que ainda pode ser entendido como uma inovação. A forma de pensar leva-o a prometer que não se desligará das raízes gastronómicas portuguesas, procurando uma evolução que seja natural e capaz de gerar o consenso entre novas tendências e o que é mais tradicional. Associar sabores que satisfaçam os clientes é o objectivo diário de João Rodrigues que admite sair de Portugal apenas para estudar e enriquecer conhecimentos. João é, aliás, peremptório ao defender que os melhores valores em cada área deveriam fazer um esforço para continuar por cá, argumentando que só assim o país poderá sair beneficiado.
(+) Chefes
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