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Gourmandises

Obrigado Brasil

HÁ HOMENAGENS que são merecidas, diria mais, que são devidas. É fácil, aliás devia ser obrigatório gostarmos do nosso país, falarmos bem dele, descrevermos as nossas maravilhas naturais, as lendas que nos emocionam, as tradições culturais lusas, a nossa rica gastronomia e os fantásticos vinhos que aqui fazemos. Mas quem não nasceu neste cantinho de Europa à beira-mar plantado não tem os mesmos deveres, as mesmas obrigações, não lhes é exigido serem embaixadores de um país que não é afinal, pelo menos por nacionalidade, o seu.
Mas ainda assim muitos o fazem, especialmente além Atlântico, nas terras que já foram de Vera Cruz e que formam o deslumbrante Brasil. É para esses nossos embaixadores informais, esses amigos de Portugal, jornalistas brasileiros, que escrevo este artigo. Por motivos profissionais tive a sorte de ir conhecendo alguns dos melhores jornalistas do Brasil, nomeadamente os que se dedicam a cobrir temas como turismo, gastronomia e vinhos. Todos sem excepção olham para Portugal verdadeiramente como país irmão, defendendo as nossas cores, promovendo as nossas riquezas, falando das nossas tradições gastronómicas com uma paixão que muitas vezes não encontramos dentro das fronteiras do nosso país. Não há melhor propaganda que esta, porque é desinteressada, genuína, fundamentada e profissional.
Muitos destes jornalistas visitam Portugal todos os anos e possuem um enorme conhecimento da nossa realidade enogastronómica, a ponto de saberem os pratos mais emblemáticos de cada chefe, os endereços daquelas tasquinhas que apenas nós portugueses pensamos conhecer, as castas de cada vinho, as novidades de cada produtor.  A ajuda promocional que nos tem chegado do Brasil dado tem contribuído para trazer muitos visitantes a Portugal ao longo dos anos (não nos esqueçamos que falam para quase 200 milhões de pessoas). Também graças a eles já não são apenas os descendentes de portugueses que aqui vêm à procura das suas origens. Os “novos” turistas (ou melhor, viajantes) brasileiros que nos visitam, e que muitas vezes pouco mais têm como ligação a nós para além da língua, querem conhecer os vários “Portugáis” que existem em Portugal, desde os monumentos e os restaurantes mais tradicionais, aos museus contemporâneos e chefes que trilham o caminho da modernidade da nossa cozinha. E quando aqui vêm invariavelmente ficam encantados…
Correndo o risco de me esquecer de muita gente, não posso deixar de destacar alguns que tratam o tema que afinal é o mesmo desta coluna que escrevo na WINE – A Essência, as gourmandises e os vinhos. E a este nível o Brasil tem jornalistas de classe mundial. Acho mesmo que se alguma revista fizesse o ranking dos 50 melhores jornalistas de gastronomia e vinhos, como a revista Restaurant faz para restaurantes, seguramente não haveria apenas um representante brasileiro (nos restaurantes é o D.O.M. de Alex Atala) na lista. Vêm-me à cabeça nomes como Luciana Lancellotti, Dias Lopes, Ricardo Castilho, Guilherme Rodrigues, Josimar Melo, entre muitos outros. São grandes conhecedores da arte da mesa, pessoas que viajam pelo mundo inteiro à procura do que melhor o Homem cria, e que nos honram com a sua amizade. Das revistas destacaria  algumas como a Prazeres da Mesa, a Gula e a recém-nascida Gosto. Todas elas dedicam regularmente páginas a Portugal, o que faz com que o nosso país chegue aos epicuristas brasileiros.
Merece também uma palavra de grande apreço uma pessoa que no Brasil tem contribuído decisivamente para este crescimento da visibilidade de Portugal. Falo de Paulo Machado, da AICEP, em São Paulo. Este grande profissional é a pessoa na linha da frente de contacto com os Media brasileiros, seduzindo-os com charme e simpatia a virem ao nosso país. É um verdadeiro santo padroeiro do turismo português, que merece o título de “São Paulo” pelo que já fez por Portugal. A ele também o meu, o nosso, obrigado.

Miguel Júdice | Wine 48

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