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Apresentação

EDITORIAL Wine nº 42

NOVOS GRANDES TINTOS

EM PORTUGAL, com uma impressionante diversidade de regiões, o melhor vinho já não é o que está bem feito, pois cada vez é mais difícil encontrar vinhos com defeitos, mas sim o que oferece como atributo principal a sua personalidade, a expressão do “terroir”, a alma do enólogo ou a pureza da variedade. Vinhos baseados nos diferentes microclimas, nas impressionantes horas de luz, na complexíssima dinâmica dos ventos e na incrível facilidade de adaptação das nossas variedades e também das estrangeiras. E aqui chegamos, após uma década prodigiosa e um movimento explosivo, com uma oferta de vinhos extraordinária, que nos surpreende a nós e aos que de fora nos visitam. Cada ano, contagiados por uma ânsia febril de mostrar o melhor da nossa viticultura, aparecem novos vinhos, fundamentalmente tintos, nos quais se une a mais alta qualidade enológica com a recuperação de variedades ou castas injustamente relegadas para segundo plano pela pouca produtividade apresentada. Na maioria são vinhos tidos como “topo de gama”, termo tão sugestivo quanto polémico, pois o mesmo acolhe tantas vezes vinhos tintos de “terroir”, carregados de gloriosos taninos doces e aromáticos, e outros, mais parecidos a oportunistas produtos de marketing. O que é certo é que a epidemia dos tintos carregados de cor, carnudos, de leves mas novas madeiras (americana, francesa, russa, bósnia) e paladar de frescas frutas maduras, está a servir de rebuliço vitivinícola do país; demonstração cabal que em Portugal temos condições para estar entre os melhores! Só falta querer e saber.
A maioria dos novos grandes vinhos surgiu no Douro, onde o grupo Douro Boys abriu o caminho, seguidos agora com entusiasmo por um número cada vez maior de produtores de todas as zonas do país. Uma sensacional mostra de fazer bem que já não se circunscreve exclusivamente ao Douro, Alentejo, Dão ou à Bairrada, mas também inclui as denominações de origem de Alenquer, Beira Interior, Tejo, Palmela, Setúbal, entre outras. Nem todos são vinhos fáceis, muitas vezes não atingem a plenitude e elegância ao primeiro trago, sobretudo se tivermos o gosto ainda ancorado no passado. Para além disso, não são baratos, ainda que o preço deva ser tido em conta pela notável qualidade que revelam. E desde logo não são tintos para beber todos os dias, mas seria muito bom darmos-lhes uma oportunidade, pelo menos agora, nesta quadra especial. Boas festas… com os grandes vinhos portugueses!

Nuno Guedes Vaz Pires | Director Executivo

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