propriedade: Essência do Vinho
Logotipo Bluewine

Apresentação

EDITORIAL WINE 66


O NOVO ANO JOGA-SE A MEIO-CAMPO


Nesta edição cumprimos a tradição de destacar os protagonistas portugueses que mais se destacaram, no último ano, no vinho e na gastronomia. Tal como o treinador de futebol, que tem sempre dificuldade em selecionar os titulares se o plantel for homogéneo e de qualidade, também nós tivemos de analisar e refletir bastante antes de decidir quem destacar. Felizmente que assim foi, sobretudo para desfazer a ideia que de Portugal só o Mourinho e o Ronaldo são bons, sendo tudo o resto opaco e sustentado por terceiros.

Continuo a seguir-me pelo futebol. Admirador confesso dos dois ícones citados, acredito, enquanto cidadão do país, que Portugal e os portugueses são igualmente valiosos. Habitamos num pequeno e periférico país europeu, é verdade, mas não seria melhor encará-lo como uma das principais portas de entrada para a Europa e de partida para o resto do mundo?

Inevitavelmente, fruto da nossa dimensão, os melhores jogadores e treinadores acabam a jogar em grandes clubes europeus. Inevitavelmente, os produtores de vinho terão de exportar para crescer e os chefes de cozinha terão de viajar por outros territórios para melhor se enquadrarem na realidade portuguesa e captarem a excelência dos produtos que aqui mesmo têm ao dispor. E se no futebol há um sem número de imponderáveis que podem decidir o resultado, não é menos verdade que competições como um campeonato nacional acabam por ser ganhas, invariavelmente, pela equipa mais regular ao longo de toda a época. E os grandes campeões não se medem apenas pelo excelente ataque ou melhor defesa; valem pela coesão da equipa e pela inteligência de jogo. Por isso, equipa que tenha um meio-campo brilhante dificilmente é derrotada.

Os vinhos e a gastronomia portuguesas (a economia e o país, atrever-me-ia a dizer) só ganharão o campeonato de 2012 se o encararem como uma prova de regularidade, jornada após jornada. Vão ganhar nalguns casos, vão perder noutros, mas se estudarem adversários e adversidades reúnem as condições para conseguir festejar. Se Messi é provavelmente o melhor de todos os tempos, Ronaldo terá de se esforçar a dobrar ou triplicar para continuar a marcar uma geração. Se Guardiola é bom treinador e beneficia do talento de um número invulgar de génios, Mourinho terá de voltar a ser ainda mais brilhante se quiser manter-se como o special one.

Não vale a pena falar do fora de jogo mal assinado, do penalti que ficou por marcar, da lesão da estrela da equipa. Esqueçam por momentos a crise, o enquadramento internacional, os défices e as restantes aberturas dos telejornais. Pensem na crise como oportunidade, no mundo como o mercado, nas exportações como os melhores reforços e na importação e adaptação de boas ideias como modelos passíveis de seguir.

Como no futebol, acredito que 2012 deva ser jogado a meio-campo. Com músculo, capacidade de sofrimento e muita imaginação. Da nossa parte, Essência do Vinho, contem com uma equipa aguerrida, pronta para este e outros campeonatos, e sempre na esperança de obter exibições e resultados capazes de o convencer a assistir sempre que entramos em campo. Seja no campeonato nacional, seja noutros palcos internacionais. Bom ano!


NUNO GUEDES VAZ PIRES
Diretor Executivo

design@wallpaper.pt